Bragantino vence o Santos e expõe problemas recorrentes do Peixe
Mais eficiente nos momentos decisivos, o Bragantino venceu por 2 a 1. O Santos teve mais posse e finalizou 17 vezes, mas voltou a mostrar dificuldades defensivas e pouca efetividade no ataque.
Bragantino×
SantosMelhores momentos
O Red Bull Bragantino venceu o Santos por 2 a 1, em Bragança Paulista, e conquistou três pontos importantes na disputa por uma vaga na próxima Libertadores. Para o Peixe, o resultado representa mais um sinal de alerta: a equipe de Cuca voltou a apresentar problemas defensivos e dificuldade para transformar a posse de bola em chances efetivas de gol. Embora tenha tido momentos de superioridade territorial, o Santos viu o adversário ser mais eficiente nas ocasiões decisivas.
O jogo começou da pior maneira possível para o Santos. Logo aos três minutos, Rodinei tentou afastar um cruzamento pela direita, mas desviou a bola contra a própria meta. Em vantagem, o Bragantino passou a explorar os espaços deixados pelo adversário, enquanto o Peixe tomou a iniciativa e encontrou dificuldades para penetrar na defesa rival. Philippe Coutinho foi uma das principais alternativas ofensivas, com finalizações de média distância.
Aos 38 minutos, Coutinho apareceu com qualidade individual. Depois de uma boa tabela com Gabigol, finalizou no canto de Tiago Volpi e empatou a partida. A reação santista, porém, durou pouco: dois minutos depois, Mosquera construiu uma jogada pela esquerda e cruzou para Wallace Yan, que apareceu na área para cabecear e recolocar o Bragantino em vantagem. O gol voltou a evidenciar a dificuldade da defesa santista para acompanhar os movimentos dos atacantes dentro da área.
Na volta do intervalo, o Santos tentou aumentar a intensidade e buscar o empate. A equipe ocupou mais o campo ofensivo, mas encontrou um Bragantino compacto, disposto a fechar espaços e aproveitar os contra-ataques. Gabigol e Everton Cebolinha tiveram oportunidades, mas faltou precisão na conclusão. Do outro lado, Wallace Yan continuou sendo uma ameaça e, aos 21 minutos, obrigou Diógenes a fazer uma defesa importante. Aos 28, Gabriel também exigiu boa intervenção do goleiro santista.
Nos minutos finais, o Santos aumentou a pressão e reclamou de um possível pênalti em Rony, após disputa com Ryan. A árbitra Edina Alves Batista mandou o jogo seguir, e não houve revisão pelo VAR. O Bragantino administrou a vantagem até o apito final.
Wallace Yan foi decisivo para o Bragantino, com o gol da vitória e mobilidade no ataque. Mosquera também teve participação importante na construção ofensiva, sobretudo pelos duelos individuais e pelas investidas até a linha de fundo. Tiago Volpi fez intervenções importantes na etapa final, quando o Santos tentou pressionar. Pelo Peixe, Coutinho foi o principal destaque técnico, participou da jogada do empate e demonstrou qualidade para encontrar espaços. Gabigol ajudou na construção do gol e buscou sair da referência ofensiva, enquanto Diógenes evitou que o placar fosse mais elástico com boas defesas.
O desempenho do Santos voltou a expor problemas recorrentes. A equipe terminou o confronto com mais de 60% de posse de bola e 17 finalizações, mas não converteu esse volume em uma quantidade proporcional de oportunidades claras. Ter a bola, portanto, não significou controlar o jogo. A defesa também mostrou fragilidade na bola aérea e nas coberturas pelos lados. O primeiro gol veio de um erro individual, mas o segundo evidenciou dificuldades coletivas de posicionamento e acompanhamento.
Também é preciso considerar os desfalques defensivos. Cuca precisou improvisar peças e utilizar uma formação alternativa, o que naturalmente prejudica o entrosamento do setor. Ainda assim, não seria justo atribuir a derrota exclusivamente ao erro de Rodinei ou às limitações causadas pelas ausências: o problema é mais amplo e envolve organização coletiva, proteção da área e capacidade de construção ofensiva.
Com o resultado, os dois clubes chegaram a 47 pontos, mas o Bragantino assumiu a oitava posição pelo maior número de vitórias: 13, contra 12 do Santos. A derrota interrompeu uma sequência de nove jogos sem perder contra adversários paulistas no Brasileirão. O Peixe, por sua vez, chegou ao terceiro jogo consecutivo sem vitória e soma apenas um triunfo nas últimas seis partidas.
O Bragantino não precisou dominar a posse de bola para vencer. Soube aproveitar os erros do adversário, explorou os corredores laterais e foi mais eficiente nas oportunidades que criou. O Santos teve qualidade individual para competir, mas voltou a mostrar dificuldade para transformar superioridade territorial em perigo real. Na Data FIFA, Cuca terá a oportunidade de recuperar jogadores e reorganizar a equipe antes da reta final. Para seguir na disputa por uma vaga continental, o Santos precisará evoluir defensivamente e encontrar alternativas ofensivas que não dependam tanto da inspiração individual de Coutinho e Gabigol.

